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Nesta seção, selecionamos Relatos, Estudos e Artigos Científicos sobre Misofonia, onde fazemos um resumo e incluímos o link para a fonte.

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Relatos de um (quase) ex-Misofônico - Parte 1

postado em 17 de abr de 2019 21:23 por Alexandre Mota   [ 5 de mai de 2019 07:26 atualizado‎(s)‎ ]

Duas fotos, dois momentos


O primeiro momento, à esquerda, estava na apresentação de Natal da turma de Alfabetização, na escola onde iniciei meus estudos. Neste dia estava com febre e com a garganta inflamada. Eram dias que vivenciei uma infância alegre, tranquila e bastante ruidosa, como deveria de ser. 

No segundo momento à direita, já havia se passado pouco mais de quatro meses desde a primeira foto. Estava no pátio externo de minha casa, registrando numa brincadeira, como eu reagia quando assobios me incomodavam. Essa foto foi um registro, cerca de vinte dias, após manifestar sintomas de incômodos auditivos a sons específicos.


Before and After Misophonia
Dois momentos: antes e depois da Misofonia


O início

Em março de 1977, cerca de um mês após completar os sete anos, passei por um procedimento cirúrgico para extração das Amígdalas. Desde muito cedo elas inflamavam com frequência e eu era acometido por episódios de febre de trinta e nove graus (39 ºC), insistentes e que ocasionalmente me causavam um delírio desagradável, como se sentisse o atrito causado pela textura de alguns objetos passando por dentro de minha cabeça.

A cirurgia foi prescrita pelo pediatra que me atendia e realizada no Hospital da Beneficência Portuguesa. Antes da cirurgia, na enfermaria, pude conversar com outra criança que também ia passar pela mesma cirurgia e haviam outras que estavam internadas por diversos motivos. Todos os pais e enfermeiros repetiam que no dia seguinte eu já estaria bem e poderia tomar sorvete. Então entrei na sala de cirurgia e 3 segundos após a anestesia geral, apaguei.

Acordei saindo da sala de cirurgia, com sangue na boca e nariz e passei à noite na enfermaria. No dia seguinte fui pra casa, não conseguia comer nada e todos os sons estavam doendo nos ouvidos...fiquei um mês assim, até que os sons pararam de doer e a inflamação cedeu. Contudo comecei a perceber que em duas situações eu sentia um incômodo: o assobio do meu irmão e um som que eu nunca tinha percebido antes, o de limpar os dentes por sucção ou simplesmente - chupar os dentes.

Outras pessoas que conheci e que também passaram por esta cirurgia, não relatavam um período de recuperação tão complicada. Naquela época, ficavam em casa por um período breve e pronto. Contudo, não conheci ninguém que tomou sorvetes um dia após extrair as amígdalas.
 
Eis aqui uma breve análise sobre como tenho lidado com Misofonia - gatilho a gatilho, considerando as hipóteses que venho estudando e são citadas nos mais diversos estudos acadêmicos sobre Misofonia e é claro, a minha percepção sobre cada gatilho considerando sua evolução em mim desde o início.

Para os estão conhecendo Misofonia agora, Gatilho - é um som específico que inicia, de forma exagerada, as respostas aversivas como angústia, raiva, ódio e outras emoções negativas. Eu nunca cito que é um “barulho”, pois na minha percepção isso confunde com Hiperacusia, que depende mais da intensidade ou da tonalidade do som.

 
⚠️ AVISO – A PARTIR DE AGORA VOU FALAR COM DETALHES SOBRE GATILHOS ⚠️

Algumas pessoas relatam que ao ler sobre determinado gatilho, começam a se sentir incomodados por ele. Então caso você não goste de ler sobre gatilhos pule este texto até o tópico: Minhas considerações.

Os gatilhos

Assobio ou assovio.
Foi o primeiro gatilho que pude perceber. Causa em mim, a aversão descrita nos relatos sobre misofonia, mas também um incômodo físico no ouvido direito. Estou com suspeita de Deiscência no canal superior Direito, ou seja, o canal superior da cóclea entrou no osso do crânio. Como os ossos do crânio também captam ondas sonoras, o assobio pode transmitir vibrações ao dito canal. Fora isso, quando comecei a sentir aversão a assovios, ainda tive meu irmão mais velho assobiando, o que me traumatizou ainda mais, acentuando o sofrimento e me condicionando negativamente, pois emitia um assobio agudo e intenso que ele fazia, achando que eu estava apenas me aproveitando para ter mais “mimos” das pessoas próximas. Isso tudo me torturava muito, mas ele não tinha consciência do que se passava dentro de mim.

Essa experiência negativa com meu irmão é consistente com uma hipótese que fui encontrando em pesquisas, como uma das causas da misofonia: um processo de condicionamento ou um reflexo condicionado a uma situação traumática.

Poderia explicar que em muitos relatos é citado o início dos incômodos durante as refeições, com a família à mesa, principalmente na infância. No meu caso, foi muito traumático, pois a inflamação que se seguiu após a cirurgia causou dores na garganta, ouvido e me fez passar dias na cama, pois qualquer som em qualquer intensidade me incomodava. Depois de um mês o que incomodava eram sons específicos que foram potencializados pelo meu irmão. Aí temos, também, espaço para suspeitar de Estresse Pós-Traumático. Mas eu estava no mundo de 1977… quem poderia diagnosticar isso?

Hoje, Perturbação de estresse pós-traumático (PSPT) (português europeu) ou transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) (português brasileiro) tem tratamento.

A suspeita levantada junto a otorrino que me atende desde 2017 é que a inflamação pós cirúrgica tenha alterado momentaneamente funcionalmente algumas estruturas do ouvido médio e interno e com isso a proteção contra ruídos altos. Pode explicar a Hiperacusia que me afetou cerca de um mês até a inflamação ceder. Pode ainda ter iniciado um comprometimento no canal auditivo superior.
 
Sons de mastigação e sugar os dentes
A hipótese que esteja, em mim, relacionada a TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo. O tratamento de TOC com TCC - Terapia Cognitiva Comportamental está diminuindo a percepção e a reação a este gatilho. Observando meu histórico, quando aos sete anos comecei a perceber que sons de chupar dentes me afetava, busquei um livro e comecei a rasga-lo a parte superior de cada folha. O rasgo era proporcional ao incômodo, tipo: chupadas rápidas eu rasgava menos de um centímetro; as “rasgadas mais profundas” eram proporcionais ao som mais prolongado. Curiosamente, em função da numeração das páginas do livro e no ritmo que as pessoas ao meu redor produziam esse gatilho, comecei a contar quantas vezes eu percebia o som gatilho.

Foi o início de contar as “coisas” em outras situações, como os postes que eu via na estrada durante uma viagem ou os passos que eu realizava até um destino. E quando começava, não conseguia parar, ficava numa ansiedade e precisava continuar a contar. Então toda vez que alguém “chupava os dentes”, eu já estava contando e esperando o próximo. Depois comecei a me incomodar com chupar quase tudo, de ossos, sopa a espinhas de peixe e, por último a mastigação de boca aberta.

Vale dizer aqui que antes disso nem percebia que as pessoas chupavam dentes. É como se fosse um som novo no mundo, para mim. O pior é que as pessoas o fazem sem perceber, pois, na maioria das vezes, é automático.

Então no meu caso, para esses gatilhos, as estratégias de lidar com TOC vem diminuindo o incômodo. Atualmente quase não percebo sintomas similares a TOC.

Sons de lixar superfícies
Estes sons não causam aversão como os outros, mas uma sensação que a lixa está atuando no meu tecido esponjoso cerebral. É a única forma que consigo ilustrar (rsss). Claro que isso atrapalha minha atenção. É interessante que esta sensação era similar à que sentia durante os episódios de febre delirante. isso antes da cirurgia e da Misofonia. A febre delirante terminou, mas a Misofonia começou. Esse é o único gatilho que ainda não tenho solução ou tratamento. De repente é um efeito ASMR ultra exagerado. ASMR é a resposta meridiana sensorial autônoma, pois, ao contrário de quem sofre por causa da Misofonia, alguns sentem um prazer “arrepiante” ao ouvir alguns sons, como os de pessoas sussurrando.
 
Sons percutidos ou batidas de modo geral
Consegui superar esse gatilho com controle emocional de ansiedade e habituação e TCC. Eu já havia explicado em outra publicação no grupo de apoio [Misofonia – Síndrome]. Os sons percutidos que mais frequentemente ouço é o das pessoas batucando nas mesas enquanto trabalham, sons de passos no teto, canetas com ponta retrátil sendo acionadas, teclados, etc... Nenhum deles me afetam mais. Então para este gatilho considero que houve uma “cura” total. 

Barulhos em geral
Eu só chamo de barulho um som ou ruído em alto volume. Desde que não sejam nenhum dos gatilhos acima, não me incomodam dentro dos limites que meu sentido da audição pode suportar ou dependendo da atividade que esteja realizando. Ou seja, não sofro de HIPERACUSIA atualmente. De qualquer forma, eu evito ambientes muito ruidosos por muito tempo, para não piorar os problemas auditivos e ser mais um ponto de estresse na hora de reagir a um gatilho. Então não serei encontrado, espontaneamente, em show com caixas acústicas despejando toda a potência.

Zumbidos (Tinittus)
Percebo 4 tipos de zumbidos. Dois são constantes. Em um deles parece um som de grilo o tempo todo, mas fica mais evidente quanto mais silencioso estiver o ambiente e o outro é quase um chiado, parecido com Ruído Branco.  Estou tão habituado a eles que quase não os percebo mais. Acredito que a terapia para os sons percutidos tenha me imunizado aos zumbidos presentes “dentro da minha cabeça”. Ainda há mais 2 zumbidos que são esporádicos e os percebo mais no ouvido esquerdo. Eles soam mais como um tom puro e um deles pude comparar com um aplicativo que gera tons com a forma de onda triangular e variam de 4.000 Hz e 6.000Hz. Tenho perda auditiva neurossensorial em 4.000 Hz, conforme as últimas Audiometrias que realizei.
 

Eu citei somente esses cinco: Assobio, lixar, mastigação, chupar dentes e percutidos, pois são os que mais sobressaíram em 42 anos convivendo com o problema. Depois de um tempo sofrendo e sem perspectiva de melhorar, fui me tornando irritável a outros estímulos. Sons específicos, pessoas com marcadores linguísticos (ok, ok, né, né, entendeu, entendeu), Sibilâncias (finais de frase com ruído de "S" muito forte) e até situações irritantes diversas, envolvendo lidar com pessoas. Todos esses, ao meu ver, são gatilhos de ‘fundo comportamental’ provocados pela distorção que sofrimento da Misofonia causa, em quem vivencia o problema. Não é à toa que nos grupos de apoio, há muita irritação relatada contra as pessoas, animais ou objetos que produzem gatilhos. No meu caso, mudanças de atitude e Psicoterapias, independente do conhecimento do terapeuta sobre Misofonia, podem ajudar e até resolver, mas vai depender das habilidades do terapeuta na utilização de várias abordagens, e após descartar a presença de outros problemas médicos ou psiquiátricos. Utilizei bastante os pressupostos da TCC junto com uma terapeuta comportamental e isso me ajudou a reduzir esses episódios de aversão. Para estes gatilhos “comportamentais” considero que estou quase curado. E curado não significa que tolero quando os ouço, mas que quase nem os percebo.

Jennifer Brout
Saiba mais sobre em Psychology Today 

 

Minhas considerações

É possível perceber nos parágrafos acima que para cada gatilho há um abordagem e conduta terapêutica diferente, pois, a Anamnese - que consiste no histórico de todos os sintomas narrados pelo paciente, é distinta para cada um de nós e para cada gatilho. Eu recomendo realizar essa Anamnese com Psicólogo(a) bem qualificado, pois eles têm as ferramentas mais eficientes para te ajudar a determinar o que difere para cada gatilho ao nível de sentimento/emoção e considerando traumas a situações que, às vezes, nem lembramos. Eu fui realizando esta anamnese em paralelo com uma Otorrinolaringologista, pois testes para verificar Níveis de desconforto auditivo, DPAC – Distúrbio de Processamento Auditivo Central complementam e outros possíveis problemas auditivos. Com um(a) Psiquiatra serão abordagens para avaliar outros aspectos de nossa saúde mental, como níveis de depressão, ansiedade, transtornos dissociativos presentes, etc. Com Neurologista podemos verificar algum desequilíbrio químico do nosso cérebro e presença de tumores. Vejam que é uma abordagem multidisciplinar. Tenho lido muitos relatos de Misofônicos nos grupos de apoio, onde eles reclamam do insucesso quando a consulta é direcionada somente a uma especialidade e, principalmente, quando estes profissionais não conhecem ou “nunca ouviram falar” sobre Misofonia.

Eu insisto em dizer que uma abordagem com apenas um profissional pode não ser bem sucedida pois não adiantar tentar resolver, por exemplo, aspectos emocionais e/ou comportamentais com a Terapia Cognitivo comportamental, Hipnose, Brainspotting, EMDR, Neurofeedback, Acupuntura e outros tratamentos válidos, se há a possibilidade de haver algum tipo de desequilíbrio químico no cérebro, ou outros transtornos médicos, fonoaudiológicos ou psiquiátricos, agindo em conjunto. Lembrando que a relação entre Misofonia e estes ainda é desconhecida.

TVMisofonia


Posto isso, vou completar que já tive situações extremas de ser incomodado, ter ódio, querer o mal de quem produzia sons, principalmente entre os meus 20 e 30 anos de vida, mas entendi depois que - reverberar o ódio e intolerância, independentemente de ser por causa da Misofonia ou do mundo, não ajuda, só piora os sintomas com o tempo. Sou agradecido por amadurecer com esta compreensão.

Não sou nenhum ser especial, apenas lutei e luto contra a Misofonia e não contra os sons. Contudo, nada impede que tenhamos que tomar medidas protetivas/preventivas se outros abusam do sossego alheio. O problema é quando essas medidas são a estratégia principal pois - o mundo não vai ser mais silencioso, pelo contrário.

Então além das medidas protetivas, medidas de tratamento da raiz de tudo - MISOFONIA - precisam ser levadas à sério.

Espero que este texto te traga novas luzes sobre como enfrentar Misofonia gatilho a gatilho. Eu torço para que todos possam tratar os problemas com a vida e com a Misofonia. 

E agora o momento final

Após o texto ser publicado no grupo apoio e um pouco antes de fazê-lo aqui, iniciei um tratamento que utiliza um novo protocolo para Misofonia utilizando o EMDR. Na primeira sessão, o som de um assobio não me afetou. Na segunda sessão a terapeuta mastigou, sem perceber, um doce e eu nem me incomodei. Na terceira sessão deixei, por alguns minutos, de perceber o zumbido (chiado e grilos). Só estou no início deste novo tratamento. Digamos que é um protocolo experimental para tratar Misofonia, mas já alimento esperanças que numa futura publicação sobre meus avanços, seja um Registro de Caso - de sucesso - a ser replicado em periódico científico, permitindo assim que outros profissionais e pesquisadores possam estabelecer um tratamento para todos. 

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Alexandre Mota
CRA-PA nº 10.954
Administrador Voluntário do site www.misofonia.org
Administrador Voluntário da página Associação Virtual Brasileira de Misofonia


Protocolo de Gerenciamento da Misofonia

postado em 11 de ago de 2017 07:42 por Alexandre Mota   [ atualizado em 22 de out de 2017 21:24 por Grupo de Trabalho AVBM ]

"Para reduzir a resposta misofônica, evite o silêncio"



Para fazer isso, você pode adicionar um ruído de fundo à sua vida. A Fonoaudióloga norte americana - Dra. Martha Johnson desenvolveu este método de tratamento da misofonia há alguns anos atrás, que faz exatamente isso. Ela o chama de Protocolo de Gerenciamento da Misofonia (MMP - Misophonia Management Protocol). Esta é provavelmente a técnica de gerenciamento mais comum para misofonia. Além de adicionar som de fundo, este protocolo também recomenda seis a doze semanas de terapia (Terapia Cognitiva-Comportamental, terapia comportamental dialética ou o que você quiser) para ajudá-lo a mudar os pensamentos negativos sobre os sons de gatilho e desenvolver técnicas de enfrentamento.

Para adicionar um ruído de fundo , como o Ruído Branco, ao seu quarto, você pode usar algo como um Ventilador de Chão ou de caixa. Um ventilador é um ótimo gerador de ruído. É o tipo de gerador de ruído mais barato e mais simples que você pode comprar, custando em torno de R$150,00 (pesquise aqui). Você também pode usar um dispositivo de ruído branco, como o DOHM ou o LectroFan. Cada um tem aproximadamente o tamanho de uma pilha de CDs.
O DOHM é realmente um Ventilador em uma caixa. Seu custo fica em torno de R$450,00 (pesquise aqui). Tem duas velocidades e ajustes para volume e afinação. O LectroFan é um gerador de ruído eletrônico, e tem dez sons de ventilador, dez outros ruídos e um controle de volume. Seu custo fica em torno de R$300,00 (pesquise aqui) . Atualmente, o LectroFan tem uma classificação mais alta no site Amazon.com e usa menos energia, mas o DOHM é muito popular entre pessoas com misofonia (nos EUA). Você pode querer ter vários desses dispositivos para que você possa mantê-los onde você precisa, como na sua cozinha, na sua sala de estar e no seu quarto. Você quer ter som em todos os lugares que você possa ouvir os sons gatilhos.




Dohm Máquina de ruído branco
Foto do site misophoniainstitute.org




LectroFan Máquina de ruído branco
Foto do site misophoniainstitute.org


Você também pode usar a TV ou a música para o som de fundo, mas não é tão benéfico quanto o ventilador ou o ruído. O som da música ou da TV varia em volume e o som não é tão eficaz para bloquear ou silenciar o gatilho. Se você possui um sistema de som, você pode usar um aplicativo de ruído branco através de um Smartphone conectado ao seu sistema de som, ou você pode usar o ruído branco gravado, o ruído rosa ou o som da chuva. O que você usa depende do que você gosta e o que é mais útil para você.


Um Fonoaudiólogo pode prescrever um ambiente de som pessoal. Eles fornecem um gerador de som que fica atrás da orelha. Estes custam de US $ 1.800 a US $ 4.000 por um par (EUA). Muitas pessoas adoram seus geradores de som. Os dispositivos parecem um pequeno aparelho auditivo, mas são programados para emitir o tipo de ruído que você gosta. Aqui está uma foto de um:



Foto do site misophoniainstitute.org



Geradores de som Widex
Eles são pequenos e discretos. Eles podem ser até invisíveis conforme o tamanho do cabelo ou a forma de penteado. Mesmo para pessoas com cabelos curtos, eles são quase imperceptíveis. Esses dispositivos também são chamados de dispositivos de máscara. Você deve verificar com um Fonoaudiólogo ou um centro de aparelhos auditivo, pois alguns não os fornecem para venda. Estes dispositivos são comumente usados ​​para tratar o zumbido, de modo que qualquer Fonoaudiólogo que forneça tratamento para o zumbido deve estar familiarizado com geradores de som ou dispositivos de máscara. Para mais informações, eis o link da Widex.



Foto do site misophoniainstitute.org


Ao usar um gerador de som, você ainda poderá, dependendo da situação, ouvir os sons gatilho, mas o gatilho pode ser bastante reduzido, de modo que você pode até lidar com isso sem ser afetado, ou muito afetado. Os dados da Dra. Johnson em seus pacientes mostraram que a adição de sons como descritos acima, reduziu a gravidade da misofonia de uma pessoa melhorando sua qualidade de vida. Então, gerar um som em sua casa, em seus quartos e adicionar ruídos diretamente aos seus ouvidos é um tratamento misofônico muito positivo para muitas pessoas. Cerca de 60% das pessoas que entraram para ver o Dra. Johnson acabaram usando (e gostando) os pequenos geradores de som diretamente nos ouvidos. Você pode tentar esta técnica de gerenciamento até de graça, há muitos aplicativos geradores para Smartphones. Basta utilizá-los com com fones de ouvido, de preferência, os fones abertos. Utilizo no Android, o aplicativo Ruído Branco da Relaxio que é de graça.






A Dra. Johnson informou que o Protocolo de Gerenciamento da Misofonia (MMP) teve um efeito médio de reduzir a gravidade da misofonia de pessoas tratadas que passaram de grave para moderada e as que passaram de moderada para leve. Com base na pontuação soma do Questionário de Avaliação da Misofonia (MAQ - Misophonia Assessment Questionnaire), ela classificou os pacientes com misofonia grave, moderada ou leve. O MAQ tem vinte e uma perguntas em uma escala de zero a três. A pontuação máxima é de sessenta e três. Vinte e dois a quarenta e dois eram moderados. Acima dos quarenta e dois era grave, enquanto abaixo de vinte e dois era leve. Não é uma cura, mas o MMP torna a vida muito melhor e é realmente uma coisa muito boa. Também é importante notar que muitas pessoas têm um benefício imediato do som ou do ruído adicional, o que é útil para uma pessoa que sofre de misofonia.


Um aspecto crítico deste tratamento é ter o ouvido exposto para que você ainda possa ouvir e, portanto, você precisa entender que você ainda será afetado, em alguma medida, pelos gatilhos. A gravidade da sua resposta de gatilho deve ser reduzida, então você sentirá uma resposta de nível mais baixo (alguns poderão experimentar uma redução total). Você pode aumentar o volume de seu ruído de fundo - do seu Smartphone ou do seu gerador de som - quando precisar, como quando é uma situação de gatilho mais alta ou você é apenas mais sensível. Você pode diminuir o volume do ruído quando não for necessário.


Esse artigo foi adaptado para o Brasil a partir da publicação original em Misophonia Institute, por um Misófono (eu) que também utiliza aplicativos de Ruído Brando e realiza Terapia Comportamental com excelentes resultados.

É sempre bom lembrar de consultar um Otorrinolaringologista para o correto diagnóstico do seu problema. Verifique se o mesmo conhece Misofonia ou que pelo menos saiba tratar Hipercusia ou Zumbido (TInnitus).

Alexandre Mota

Terapia Cognitiva-Comportamental aplicada em Jovens com Misofonia

postado em 19 de jun de 2017 19:42 por Alexandre Mota   [ 30 de mar de 2019 13:33 atualizado‎(s)‎ ]

Eis um Estudo de Caso onde a Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC) foi aplicada em duas Jovens com Misofonia, havendo melhoras na qualidade de vida de ambas.


Em um Registro de Casos Clínicos realizados por Joseph F. McGuire, MA, Departamento de Psicologia, Universidade do Sul da Flórida, são apresentados o tratamento de 2 jovens que preencheram os critérios propostos para misofonia.


Terapia Cognitiva-Comportamental

Trecho do Mapa Mental da Misofonia by Alexandre Mota 


Nos dois casos, uma menina Hispânica de 11 - Lilly -  e uma jovem Caucasiana de 17 anos - Ariel -  não possuíam outras doenças psiquiátricas associadas e ambas com gatilhos semelhantes, sendo que Lilly tinha aversão a conversas em Espanhol. As duas apresentaram dificuldades na escola e entre familiares, principalmente devido a comportamentos explosivos na presença de gatilhos.

 

 O tratamento utilizado foi a Terapia cognitivo-comportamental que, nos casos relatados, enfatizou-se que o objetivo do tratamento era permitir que os pacientes tolerassem os gatilhos sem se envolverem em comportamentos agressivos ou mesmo, os evitassem.

Na sessão seguinte, foi estabelecida uma hierarquia de gatilhos, seguida por exposições graduais, repetitivas e prolongadas com prevenção de resposta nas sessões subsequentes. Através de exposições repetidas, as jovens se habituaram ao sofrimento associado ao que gerava os gatilhos (mastigação por exemplo) e aprenderam que comportamentos de fuga, agressivos e / ou distrações não eram necessários para reduzir o sofrimento.

 

 Conforme relatado no registro: “Após o tratamento, Ariel experimentou uma grande redução nos sintomas da misofonia. Embora ainda tenha sofrido alguns sintomas, Ariel afirmou que possuía as ferramentas para gerenciar ambientes desafiadores e tomou medidas para retornar a um ambiente escolar. Lilly e sua mãe também relataram uma redução acentuada nos sintomas da misofonia após o tratamento. A mãe de Lilly afirmou que os sintomas de Lilly já não perturbavam a convivência com a família.”

 

Os autores do relato ressaltam que embora essas descobertas sejam promissoras, são necessárias mais pesquisas para replicar esses resultados, ampliando o alcance da terapia.


Estudos de caso são importantes pois ainda há carência de estudos clínicos e ausência de tratamentos empiricamente comprovados para Misofonia e em função disso, a utilização da TCC não é uma unanimidade entre pesquisadores. Apesar disso há relatos de sucesso ao utilizar a TCC como tratamento, principalmente quando pesquisamos estes relatos em grupos de apoio para portadores de Misofonia, notadamente quando não era utilizada como único tratamento para enfrentar o problema. Consideramos que a TCC pode ser uma boa estratégia dentro de uma abordagem multidisciplinar, fornecendo estratégias de como lidar com os efeitos comportamentais e emocionais negativos presentes na Misofonia.

 

    Para acesso ao texto completo em Inglês do Registro de Caso Clínico, acesse o site da Journal of Clinical Psychiatry em:

    http://www.psychiatrist.com/jcp/article/Pages/2015/v76n05/v76n0504.aspx



    Para mais informações sobre Terapia Cognitivo-Comportamental, acesse o site da News Medical em:

    http://www.news-medical.net/health/What-is-Cognitive-Behavioral-Therapy-(CBT)-(Portuguese).aspx


     No Brasil há a Federação Brasileira de Terapias Cognitivas com mais informações sobre TCC, incluindo uma busca de terapeutas habilitados.

    Para uma leitura mais aprofundada sobre Misofonia, recomendamos o: Artigo Científico publicado pelas maiores autoridades em Misofonia


Alexandre Mota

Hormônio do Crescimento e Misofonia

postado em 16 de jun de 2017 18:26 por Alexandre Mota   [ atualizado em 22 de out de 2017 21:23 por Grupo de Trabalho AVBM ]

Duas publicações que relacionam misofonia a causas hormonais: Uma tese e um artigo. 
As mesmos indicam que a Deficiência Isolada do Hormônio do Crescimento (DIGH) congênita podem causar perdas auditivas e misofonia.

A Tese de Doutorado em Ciências da Saúde de Valéria Barreto, avaliou o perfil auditivo de indivíduos adultos de uma região conhecida como "berço dos anões", em função do grande número de indivíduos com DIGH severa, que nunca fizeram tratamentos para reposição do Hormônio do Crescimento. Uma das conclusões do estudo é que "as principais queixas relatadas pelo grupo DIGH foram hipoacusia, tontura e misofonia. Em relação ao grupo controle, o grupo DIGH apresentou mais misofonia e tontura". 
Uma das hipóteses é que alterações craniofaciais desses indivíduos, com redução da profundidade do crânio e da altura facial, em função da DIGH, afetem o Reflexo Acústico, um dos mecanismos de proteção da orelha interna aos danos causados por sons intensos, como o principalmente os de baixa frequência. 

A outra publicação é um artigo, de vários autores que descreve a associação da deficiência auditiva com distúrbios de várias glândulas endócrinas, inclusive citando a misofonia relacionada a DIGH congênita. Uma das conclusões deste estudo é que "os distúrbios auditivos podem fazer parte de várias condições endócrinas e metabólicas". O gerenciamento dessas condições requer os esforços integrados de otorrinolaringologistas e endocrinologistas.

Tabela 1
 Tipo de Publicação  Título  Autores  instituição  Link da Publicação  Data da Publicação
Artigo  Glândulas endócrinas e audição: Manifestações auditivas de várias condições endócrinas e metabólicas  Kripa Elizabeth Cherian, Nitin Kapoor, Suma Susan Mathews, Thomas Vizhalil Paul  Indian J Endocrinol Metab https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5434734/#ref4  21/05/2017
 Tese de Doutorado Perfil auditivo em indivíduos com deficiência isolada do hormônio do crescimento (DIGH) Valéria Maria Prado Barreto  UFS - universidade Federal de Sergipe  https://bdtd.ufs.br/handle/tede/781  08/11/2013


Alexandre Mota

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