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Nesta seção, selecionamos Estudos e Artigos Científicos sobre Misofonia, onde fazemos um resumo e incluímos o link para a fonte.

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Protocolo de Gerenciamento da Misofonia

postado em 11 de ago de 2017 07:42 por Alexandre Mota   [ atualizado em 22 de out de 2017 21:24 por Grupo de Trabalho AVBM ]

"Para reduzir a resposta misofônica, evite o silêncio"



Para fazer isso, você pode adicionar um ruído de fundo à sua vida. A Fonoaudióloga norte americana - Dra. Martha Johnson desenvolveu este método de tratamento da misofonia há alguns anos atrás, que faz exatamente isso. Ela o chama de Protocolo de Gerenciamento da Misofonia (MMP - Misophonia Management Protocol). Esta é provavelmente a técnica de gerenciamento mais comum para misofonia. Além de adicionar som de fundo, este protocolo também recomenda seis a doze semanas de terapia (Terapia Cognitiva-Comportamental, terapia comportamental dialética ou o que você quiser) para ajudá-lo a mudar os pensamentos negativos sobre os sons de gatilho e desenvolver técnicas de enfrentamento.

Para adicionar um ruído de fundo , como o Ruído Branco, ao seu quarto, você pode usar algo como um Ventilador de Chão ou de caixa. Um ventilador é um ótimo gerador de ruído. É o tipo de gerador de ruído mais barato e mais simples que você pode comprar, custando em torno de R$150,00 (pesquise aqui). Você também pode usar um dispositivo de ruído branco, como o DOHM ou o LectroFan. Cada um tem aproximadamente o tamanho de uma pilha de CDs.
O DOHM é realmente um Ventilador em uma caixa. Seu custo fica em torno de R$450,00 (pesquise aqui). Tem duas velocidades e ajustes para volume e afinação. O LectroFan é um gerador de ruído eletrônico, e tem dez sons de ventilador, dez outros ruídos e um controle de volume. Seu custo fica em torno de R$300,00 (pesquise aqui) . Atualmente, o LectroFan tem uma classificação mais alta no site Amazon.com e usa menos energia, mas o DOHM é muito popular entre pessoas com misofonia (nos EUA). Você pode querer ter vários desses dispositivos para que você possa mantê-los onde você precisa, como na sua cozinha, na sua sala de estar e no seu quarto. Você quer ter som em todos os lugares que você possa ouvir os sons gatilhos.




Dohm Máquina de ruído branco
Foto do site misophoniainstitute.org




LectroFan Máquina de ruído branco
Foto do site misophoniainstitute.org


Você também pode usar a TV ou a música para o som de fundo, mas não é tão benéfico quanto o ventilador ou o ruído. O som da música ou da TV varia em volume e o som não é tão eficaz para bloquear ou silenciar o gatilho. Se você possui um sistema de som, você pode usar um aplicativo de ruído branco através de um Smartphone conectado ao seu sistema de som, ou você pode usar o ruído branco gravado, o ruído rosa ou o som da chuva. O que você usa depende do que você gosta e o que é mais útil para você.


Um Fonoaudiólogo pode prescrever um ambiente de som pessoal. Eles fornecem um gerador de som que fica atrás da orelha. Estes custam de US $ 1.800 a US $ 4.000 por um par (EUA). Muitas pessoas adoram seus geradores de som. Os dispositivos parecem um pequeno aparelho auditivo, mas são programados para emitir o tipo de ruído que você gosta. Aqui está uma foto de um:



Foto do site misophoniainstitute.org



Geradores de som Widex
Eles são pequenos e discretos. Eles podem ser até invisíveis conforme o tamanho do cabelo ou a forma de penteado. Mesmo para pessoas com cabelos curtos, eles são quase imperceptíveis. Esses dispositivos também são chamados de dispositivos de máscara. Você deve verificar com um Fonoaudiólogo ou um centro de aparelhos auditivo, pois alguns não os fornecem para venda. Estes dispositivos são comumente usados ​​para tratar o zumbido, de modo que qualquer Fonoaudiólogo que forneça tratamento para o zumbido deve estar familiarizado com geradores de som ou dispositivos de máscara. Para mais informações, eis o link da Widex.



Foto do site misophoniainstitute.org


Ao usar um gerador de som, você ainda poderá, dependendo da situação, ouvir os sons gatilho, mas o gatilho pode ser bastante reduzido, de modo que você pode até lidar com isso sem ser afetado, ou muito afetado. Os dados da Dra. Johnson em seus pacientes mostraram que a adição de sons como descritos acima, reduziu a gravidade da misofonia de uma pessoa melhorando sua qualidade de vida. Então, gerar um som em sua casa, em seus quartos e adicionar ruídos diretamente aos seus ouvidos é um tratamento misofônico muito positivo para muitas pessoas. Cerca de 60% das pessoas que entraram para ver o Dra. Johnson acabaram usando (e gostando) os pequenos geradores de som diretamente nos ouvidos. Você pode tentar esta técnica de gerenciamento até de graça, há muitos aplicativos geradores para Smartphones. Basta utilizá-los com com fones de ouvido, de preferência, os fones abertos. Utilizo no Android, o aplicativo Ruído Branco da Relaxio que é de graça.






A Dra. Johnson informou que o Protocolo de Gerenciamento da Misofonia (MMP) teve um efeito médio de reduzir a gravidade da misofonia de pessoas tratadas que passaram de grave para moderada e as que passaram de moderada para leve. Com base na pontuação soma do Questionário de Avaliação da Misofonia (MAQ - Misophonia Assessment Questionnaire), ela classificou os pacientes com misofonia grave, moderada ou leve. O MAQ tem vinte e uma perguntas em uma escala de zero a três. A pontuação máxima é de sessenta e três. Vinte e dois a quarenta e dois eram moderados. Acima dos quarenta e dois era grave, enquanto abaixo de vinte e dois era leve. Não é uma cura, mas o MMP torna a vida muito melhor e é realmente uma coisa muito boa. Também é importante notar que muitas pessoas têm um benefício imediato do som ou do ruído adicional, o que é útil para uma pessoa que sofre de misofonia.


Um aspecto crítico deste tratamento é ter o ouvido exposto para que você ainda possa ouvir e, portanto, você precisa entender que você ainda será afetado, em alguma medida, pelos gatilhos. A gravidade da sua resposta de gatilho deve ser reduzida, então você sentirá uma resposta de nível mais baixo (alguns poderão experimentar uma redução total). Você pode aumentar o volume de seu ruído de fundo - do seu Smartphone ou do seu gerador de som - quando precisar, como quando é uma situação de gatilho mais alta ou você é apenas mais sensível. Você pode diminuir o volume do ruído quando não for necessário.


Esse artigo foi adaptado para o Brasil a partir da publicação original em Misophonia Institute, por um Misófono (eu) que também utiliza aplicativos de Ruído Brando e realiza Terapia Comportamental com excelentes resultados.

É sempre bom lembrar de consultar um Otorrinolaringologista para o correto diagnóstico do seu problema. Verifique se o mesmo conhece Misofonia ou que pelo menos saiba tratar Hipercusia ou Zumbido (TInnitus).

Alexandre Mota

Terapia Cognitiva-Comportamental aplicada em Jovens com Misofonia

postado em 19 de jun de 2017 19:42 por Alexandre Mota   [ atualizado em 22 de out de 2017 21:24 por Grupo de Trabalho AVBM ]



    Em um Registro de Casos Clínicos realizados por Joseph F. McGuire, MA, Departamento de Psicologia, Universidade do Sul da Flórida, são apresentados o tratamento de 2 jovens que preencheram os critérios propostos para misofonia.


Terapia Cognitiva-Comportamental

Trecho do Mapa Mental da Misofonia by Alexandre Mota 


    Nos dois casos, uma menina Hispânica de 11 - Lilly -  e uma jovem Caucasiana de 17 anos - Ariel -  não possuíam outras doenças psiquiátricas associadas e ambas com gatilhos semelhantes, sendo que Lilly tinha aversão a conversas em Espanhol. As duas apresentaram dificuldades na escola e entre familiares, principalmente devido a comportamentos explosivos na presença de gatilhos.

 

    O tratamento utilizado foi a Terapia cognitivo-comportamental que, nos casos relatados, enfatizou-se que o objetivo do tratamento era permitir que os pacientes tolerassem os gatilhos sem se envolverem em comportamentos agressivos ou mesmo, os evitassem.

Na sessão seguinte, foi estabelecida uma hierarquia de gatilhos, seguida por exposições graduais, repetitivas e prolongadas com prevenção de resposta nas sessões subsequentes. Através de exposições repetidas, as jovens se habituaram ao sofrimento associado ao que gerava os gatilhos (mastigação por exemplo) e aprenderam que comportamentos de fuga, agressivos e / ou distrações não eram necessários para reduzir o sofrimento.

 

    Conforme relatado no registro: “Após o tratamento, Ariel experimentou uma grande redução nos sintomas da misofonia. Embora ainda tenha sofrido alguns sintomas, Ariel afirmou que possuía as ferramentas para gerenciar ambientes desafiadores e tomou medidas para retornar a um ambiente escolar. Lilly e sua mãe também relataram uma redução acentuada nos sintomas da misofonia após o tratamento. A mãe de Lilly afirmou que os sintomas de Lilly já não perturbavam a convivência com a família.”

 

    Os autores do relato ressaltam que embora essas descobertas sejam promissoras, são necessárias mais pesquisas para replicar esses resultados, ampliando o alcance da terapia.

 

    Para acesso ao texto completo em Inglês do Registro de Caso Clínico, acesse o site da Journal of Clinical Psychiatry em:

    http://www.psychiatrist.com/jcp/article/Pages/2015/v76n05/v76n0504.aspx



    Para mais informações sobre Terapia Cognitivo-Comportamental, acesse o site da News Medical em:

    http://www.news-medical.net/health/What-is-Cognitive-Behavioral-Therapy-(CBT)-(Portuguese).aspx


     No Brasil há a Federação Brasileira de Terapias Cognitivas onde pode-se buscar mais informações, incluindo uma busca de terapeutas.

Alexandre Mota

Hormônio do Crescimento e Misofonia

postado em 16 de jun de 2017 18:26 por Alexandre Mota   [ atualizado em 22 de out de 2017 21:23 por Grupo de Trabalho AVBM ]

Duas publicações que relacionam misofonia a causas hormonais: Uma tese e um artigo. 
As mesmos indicam que a Deficiência Isolada do Hormônio do Crescimento (DIGH) congênita podem causar perdas auditivas e misofonia.

A Tese de Doutorado em Ciências da Saúde de Valéria Barreto, avaliou o perfil auditivo de indivíduos adultos de uma região conhecida como "berço dos anões", em função do grande número de indivíduos com DIGH severa, que nunca fizeram tratamentos para reposição do Hormônio do Crescimento. Uma das conclusões do estudo é que "as principais queixas relatadas pelo grupo DIGH foram hipoacusia, tontura e misofonia. Em relação ao grupo controle, o grupo DIGH apresentou mais misofonia e tontura". 
Uma das hipóteses é que alterações craniofaciais desses indivíduos, com redução da profundidade do crânio e da altura facial, em função da DIGH, afetem o Reflexo Acústico, um dos mecanismos de proteção da orelha interna aos danos causados por sons intensos, como o principalmente os de baixa frequência. 

A outra publicação é um artigo, de vários autores que descreve a associação da deficiência auditiva com distúrbios de várias glândulas endócrinas, inclusive citando a misofonia relacionada a DIGH congênita. Uma das conclusões deste estudo é que "os distúrbios auditivos podem fazer parte de várias condições endócrinas e metabólicas". O gerenciamento dessas condições requer os esforços integrados de otorrinolaringologistas e endocrinologistas.

Tabela 1
 Tipo de Publicação  Título  Autores  instituição  Link da Publicação  Data da Publicação
Artigo  Glândulas endócrinas e audição: Manifestações auditivas de várias condições endócrinas e metabólicas  Kripa Elizabeth Cherian, Nitin Kapoor, Suma Susan Mathews, Thomas Vizhalil Paul  Indian J Endocrinol Metab https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5434734/#ref4  21/05/2017
 Tese de Doutorado Perfil auditivo em indivíduos com deficiência isolada do hormônio do crescimento (DIGH) Valéria Maria Prado Barreto  UFS - universidade Federal de Sergipe  https://bdtd.ufs.br/handle/tede/781  08/11/2013


Alexandre Mota

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